Oi, eu sou o Diogo Souza

Sou escritor e jornalista, autor dos livros Novo Rumo, Encontro com o Cara do Espelho, Sobrevivendo a um Relacionamento Abusivo e O Amor não é para Covardes (em reedição).

Adquira meus livros

Meus livros estão disponíveis na Amazon e nas principais lojas de livros do país.

(Cara do Espelho #11) A cura pela graça: o sopro divino que vem de um sorriso

O adeus ao Papa Francisco me trouxe a lembrança do seu humor e de como, em meio aos tropeços da vida, fazer graça sempre me serviu de cura



Com o falecimento do Papa Francisco, as redes foram tomadas por todo tipo de lembrança e homenagem àquele que foi o líder da igreja católica nos últimos anos. Acontecimentos como esse despertam muitas emoções e trazem à tona lembranças que mexem conosco com mistos de tristeza, saudade, alegria e bom humor.


E foi usando as redes sociais que me deparei com um vídeo viral. Era um compilado de momentos divertidos e bastante aleatórios do Papa Francisco. O edit já começa com Francisco interagindo com uma brasileira brincando sobre cachaça. O papa pergunta: “Cachaça é água?”. A moça responde, aos risos: “cachaça não é água, não”. Nos segundos seguintes, a tela é preenchida por todo tipo de corte de momentos inusitados e divertidos de um homem que ocupou um dos postos mais importantes do mundo, tradicionalmente associado à rigidez, opulência e, quiçá, arrogância, nada a ver com aquele papa humilde, divertido e humano do vídeo citado e de tantos outros cortes que surgiram na internet desde sua passagem para o plano espiritual.


A risada sincera que dei com aquele vídeo me trouxe uma sensação boa e, enquanto tomava meu café da manhã, me peguei pensando sobre como o senso de humor deve mesmo ser uma coisa divina. Se o Papa, alguém quase próximo do divino, era bem humorado, deve ser sinal que humor nos aproxima de Deus, quero crer.


Descobri que a relação do Papa Francisco com o bom humor não era apenas uma característica comportamental, mas também uma filosofia de vida. Em junho do ano passado, o pontífice recebeu um grupo de humoristas de todo o mundo¹, entre eles os brasileiros Fábio Porchat e Cacau Protásio. Durante o encontro, o papa Francisco disse que é mais fácil rir juntos do que sozinhos, pois “a alegria permite o compartilhamento e é o melhor antídoto contra o egoísmo e o individualismo. Rir também ajuda a quebrar as barreiras sociais, a criar conexões entre as pessoas”.


“Vocês (os humoristas) nos lembram que o homo sapiens também é homo ludens; que a diversão e o riso são fundamentais para a vida humana, para nos expressarmos, aprendermos e darmos significado às situações". (Papa Francisco)


Ao comentar o bom humor como virtude e dimensão fundamental da existência humana, o teólogo e padre italiano, Domenico Marrone², atenta que ele parece estar em risco num mundo de crescentes conflitos e tensões que tendem a ignorar a moderação do humor e da ironia. Segundo ele, "o bom humor e a argúcia têm a ver com a relação íntima e pessoal com Deus, que permite relativizar e redimensionar os eventos, até mesmo os mais dramáticos, vendo-os na perspectiva da eternidade".


Parece-me divino suficiente. E de fato, na minha vida, o senso de humor tem um caráter analgésico, por vezes anestésico. No meio às vicissitudes diárias, é o humor que torna as coisas mais leves, por vezes, menos dolorosas. O meu gracejo quando brinco com eventos traumáticos de minha vida pode até causar estranheza em alguns, anotações misteriosas do meu psicólogo, mas quando encontra o público certo (amigos com iguais tendências à zombeteria) costuma sempre trazer alívio ao que já foi pesado e doloroso.


Inscreva-se para receber meus textos no seu e-mail:


Claro, como tudo nesta vida, a busca pelo equilíbrio é necessária. Então, creio que fazer piadas com um espírito durante uma entrevista mediúnica talvez não seja de bom tom. (Mas a irmã espiritual riu quando perguntei, brincando, se ela pertencia a um determinado sindicato, depois de me dizer que me acompanhava em eventos no trabalho. Faria outra vez? Talvez, mas reconheço que não deveria. Mas ela riu!). Me reservo ao direito de não tecer comentários sobre piadas autodepreciativas, minha especialidade que está em desconstrução.


A vida se leva a sério, mas eu faço questão de que também possa levá-la de forma leve e divertida, sempre que possível.


Nesse sentido, o humor e o gracejo também são curativos. Conversei a respeito disso com uma amiga, pois, ao longo de mais de uma década de amizade, reconhecemos que muitos dos problemas intransponíveis que enfrentamos em nossas vidas foram atravessados e vencidos aos risos, o que não significa ausência de choro, ansiedade e eventual desespero. Mas é inegável que rir tornou o caminhar menos penoso.


Rir me ajuda a tornar a vida mais leve, mesmo que as coisas estejam realmente pesadas. Um eventual deboche sobre os próprios problemas talvez seja o segredo para impedir que as coisas se tornem mais graves dentro de minha percepção. Que outra explicação eu poderia ter? Só pode ser o milagre do riso! Não a toa, a graça é divina.


Dos inúmeros exemplos que o Papa Francisco nos deixa, quero ficar com o do bom humor, afinal para superar qualquer desafio, a coragem e a fé são essenciais. Mas encarar a vida de frente me parece melhor com um sorriso nos lábios e, quem sabe, uma piada qualquer na ponta da língua.


¹ JAGURABA, Mariangela. O Papa aos humoristas: quando vocês fazem alguém sorrir, Deus também sorri. Vatican News, 14 jun. 2024. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2024-06/papa-francisco-encontro-humoristas-mundo-vaticano-rir-sorrir.html. Acesso em: 27 abr. 2025.

² MARRONE, Domenico. As virtudes do ministério: o bom humor. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/616246-as-virtudes-do-ministerio-o-bom-humor-artigo-de-domenico-marrone. Acesso em: 27 abr. 2025.


Para continuar rindo (tentando não blasfemar):

O compilado que nos trouxe a essa jornada divina de riso;


Isso aqui me tirou uma risada divina: uma live do Tiktok, durante um culto realizado na plataforma do GTA.





Me deparei com outra live também do Tiktok. Era simplesmente uma Missa de Ordenação no Minecraft, o perfil se chama Santa Sé do Minecraft. Para minha surpresa, assim como ele, há muitos outros perfis do tipo. Sem mais!





(Vou parar por aqui, antes que meu humor faça seu encontro natural com a blasfêmia.)


Muito obrigado por ter chegado até aqui! Se essa leitura foi especial para você, compartilhe com alguém e ajude a divulgar meu trabalho.

Diário de Bordo

Receba reflexões, bastidores da escrita e novidades diretamente no seu e-mail. Inscreva-se na minha newsletter e faça parte do meu trabalho.